Improvisório é uma instalação fotográfica cujo título se constitui da junção de duas palavras que têm muito em comum.

O trabalho surgiu quando começaram a acontecer intervenções urbanas no bairro onde moro, com a finalidade de troca das tubulações de gás da região. Num primeiro momento me chamaram a atenção as operações que envolviam a quebra de porções geométricas de rua e calçadas e sua imediata recolocação, nos mesmos locais, porém de maneira a formarem novas configurações visuais, como se fossem quebra-cabeças mal sucedidos. Várias outras formas de intervenção nos calçamentos também foram surgindo. Decidi começar a registrar essas cenas digitalmente, aguçado pela curiosidade que esses recortes me despertavam.

Após alguns dias notei que os espaços anteriormente quebrados começaram a ser recobertos por grandes placas de ferro que tinham em comum a inscrição “provisório” carimbada de diversas formas, cores e tamanhos, porém sempre com a mesma identidade visual. A partir deste momento comecei a refletir sobre o caráter destes avisos que dia após dia apareciam com mais frequência nas ruas próximas. Passei a registrar essas interferências com minha câmera analógica.

Veio à tona então a questão da urbanização e desenvolvimento das cidades em geral - em especial as brasileiras - e o modo como se dá essa constante costura que forma verdadeiras colchas de retalhos sobre as quais pisamos e vivemos. Foi a partir dessas observações que decidi usar a técnica de dupla-exposição fotográfica nos filmes que havia produzido, numa terceira etapa de registros que realizei em deslocamentos pela cidade, em sua maioria a partir de trens do metrô.

A série aqui apresentada é composta pelas imagens captadas nestes três momentos e com suas respectivas distinções técnicas (fotografia digital e dupla-exposição de filme fotográfico 35mm).

 

O desenvolvimento das nossas cidades reflete a biografia do Brasil. Um país com uma história política e social extremamente conturbada e irregular, com períodos curtos de estabilidade permeados por constantes turbulências e violências de inúmeras formas. Concluí que as duas palavras que dão nome à esta instalação podem também ilustrar essa trajetória, que aqui se mostra como um grande canteiro que abriga uma obra infinita.

> PROPOSTA DE MONTAGEM DA INSTALAÇÃO

> FOTOGRAFIAS QUE COMPÕE A INSTALAÇÃO - registros digitais 

> FOTOGRAFIAS QUE COMPÕE A INSTALAÇÃO - registros analógicos