Tempestade é uma instalação audiovisual imersiva, criada em conjunto pelos artistas Jp Accacio, DUO b, Matheus Leston e Victor Leguy. 

A obra decorre de um processo criativo de dez meses de duração no qual os artistas se encontraram semanalmente com o objetivo de conceber um trabalho que teve como ponto de partida o conceito de tempestade, referenciados inicialmente pelas obras do pintor William Turner e do escritor William Shakespeare.

 

O resultado dos encontros, conversas e testes realizados neste período é uma instalação audiovisual composta por um filme de trinta minutos de duração projetado fora de sincronia por três projetores localizados em pontos distintos do espaço instalativo. 

 

As imagens que compõe o filme começaram a ser captadas durante os testes, primeiramente em telefone celular e no último momento em câmera digital HD. A ideia de filme do filme foi bastante explorada neste processo dado que o vídeo projetado no teste atual havia sido captado na semana anterior, e seria novamente captado para se transformar no material a ser projetado na semana seguinte. Desta forma se estabeleceu um modus operandi onde o conteúdo final não deixa de ser também processual, visto que a cada captura se adicionava uma nova camada ao material.  

 

Juntamente com a projeção do filme, que quando exibido sofre a interferência de programações visuais que o modificam, foi criado pelos artistas um ambiente que conta com a distribuição e colocação de espelhos flexíveis, tecidos, placas acrílicas desenhadas à mão e caixas de som que transmitem as ambiências e trilhas sonoras compostas para o trabalho.

 

Tempestade foi contemplado com o primeiro lugar no PROAC de Artes Integradas do Estado de São Paulo de 2016 e já foi exibido na Casa das Caldeiras (São Paulo) e na Oficina Cultural Pagú (Santos). 

> TRECHOS DO FILME QUE COMPÕE A INSTALAÇÃO

> REGISTRO RESUMIDO EM VÍDEO | CASA DAS CALDEIRAS

:: Tempestade, 2016 - instalação audiovisual imersiva composta de projeção de imagens com programações e interferências digitais, tecidos, espelhos flexíveis, placas de acrílico desenhadas à mão e ambiências e trilhas sonoras.

> VISTAS DA INSTALAÇÃO| CASA DAS CALDEIRAS

> VISTAS DA INSTALAÇÃO | OFICINA CULTURAL PAGÚ

> TEXTO CRÍTICO

[por Ananda Carvalho, curadora e crítica convidada para o acompanhamento do projeto] 

A Tempestade começou relembrando as pinturas de William Turner e os textos de Shakespeare. Porém, aos poucos, foi se elaborando que o fio condutor deste projeto consiste nas conexões das práticas processuais dos cinco artistas participantes: DUO b (Marcelo Bressanin e Pedro Ricco), Jp Accacio, Matheus Leston e Victor Leguy.

Em meio à imprevisibilidade de nuvens de condensação de ideias, durante 10 meses, acompanhei os encontros de colaboração/residência artística desses artistas na DA HAUS. Ali, conviveram diálogos intensos, experiências atravessaram conceitos, e paulatinamente, foi-se dando forma ao que poderíamos chamar de “instalação final”, assim entre aspas, considerando o movimento contínuo do processo de criação.

Durante as experimentações – projeções de imagens, reflexões em espelhos e placas de acrílico, composições de áudios, movimentos da luz e seus desenhos –, emergiram as diferentes visões de cada artista e suas possibilidades de interação. Ao documentar essas ações, havia algumas imagens que só eram visualizadas pelo aparato-olho-fotográfico. Ou ainda, o que um percebia, não necessariamente era o que o outro observava ou escutava. Entre as diferentes percepções do trabalho, foram elaborados diversos questionamentos sobre como se constituíam as imagens e os sons perante a Tempestade.

Começou-se, então, a projetar as próprias imagens de registro, considerando o viés processual que se espalhava perante esta vivência. Essas imagens foram captadas novamente em alta resolução e, posteriormente, foram relidas e programadas via software. Outros desenhos-registros foram realizados. Trilhas sonoras foram compostas, seguindo a mesma metodologia de composição e decomposição.

Por fim, as paisagens audiovisuais ocupam o espaço expositivo, preenchendo-o com sobreposições de uma narrativa orgânica. Entre as imagens figurativas da documentAÇÃO, grafismos e imagens abstratas, é possível entrever que tudo está em deslocamento. Pode-se afirmar que os momentos de percepção da experiência são efêmeros: quando alguém chama para olhar, aquilo já não está mais no mesmo lugar.

Nesta tempestade processual em constante colaboração e atualização, cada pessoa do público é convidada a escolher o ponto de vista (ou o farol) de sua própria tempestade. Entre as diversas elaborações de discursos que transpassam a vida contemporânea, não ouvimos aqui uma voz específica (e muito menos autoritária do autor e/ou de autores). Emerge uma comunicação que não sabemos ao certo como objetivar, mas que aglutina e expressa a potência do processo de criação.